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Lagoa de Extremoz - Qualidade da água ainda é considerada boa, mas há risco de contaminação

Anna Ruth Dantas - Repórter

O sistema de abastecimento d’água na Zona Norte de Natal está enfrentando uma situação delicada. A principal fonte de abastecimento, a lagoa de Extremoz, responsável por 70% do consumo, já possui alguns focos de contaminação por coliformes fecais e ainda está na sua capacidade máxima de uso. Além disso, os estudos na lagoa já comprovam que há contaminação de nitrato no subsolo, que ainda não compromete a qualidade da água porque o produto está sendo diluído. “Mas não sabemos até quando a lagoa terá capacidade para diluir essa contaminação de nitrato no subsolo”, comenta o professor UFRN, o hidrogeólogo José G. de Melo.

Ele ressalta que a qualidade da água é muito boa, mas confirma o “potencial risco de contaminação” do manancial. O pólo industrial, a instalação do aterro sanitário de Ceará-Mirim e o uso de agrotóxico na plantação são apontados como fatores que contribuem para esse risco. “A Zona Norte é muito mais vulnerável no sistema de abastecimento d’água do que a Zona Sul”, destaca o professor.

As alternativas para aumentar o abastecimento d’água da Zona Norte são ainda menores porque o local não tem potencial para aumentar a exploração dos poços. “O potencial das áreas dos poços na Zona Norte é muito baixo. A única alternativa seria perfurar poços na margem esquerda do rio Doce”, analisa o hidrogeólogo José Geraldo Melo.

Aumentar a vazão de exploração da lagoa, que hoje é de 650 litros por segundo, também é descartada pelo professor da UFRN. “Os estudos de batimetria já apontaram que a lagoa está na sua capacidade máxima de exploração. Para aumentar esse volume é preciso controle”.

Os números são um demonstrativo da importância da lagoa de Extremoz. Ela tem capacidade máxima de 14,6 milhões de metros cúbicos e ocupa uma área de 4,2 quilômetros quadrados. Números significativos mas que ganham uma dimensão pequena quando é analisado que o uso é de 650 litros por segundo, o equivalente a 56,16 milhões.

Segundo José Geraldo de Melo é preciso um monitoramento freqüente da vazão da lagoa e da qualidade da água. O professor participou de recente estudo sobre as bacias do Estado, inclusive a lagoa de Extremoz.

Caern monitora a qualidade

O gerente de Desenvolvimento Operacional da Caern, Josildo Lourenço dos Santos, afirma que a empresa faz um monitoramento freqüente da qualidade da água bruta da lagoa. “Monitoramos a qualidade da água dos dois riachos que levam água para a lagoa. Nossa preocupação com a lagoa é pelo que ela representa para o abastecimento”, completa. Ele ressalta ainda a boa qualidade da água da lagoa, mas “nos preocupam os empreendimentos que estão sendo erguidos muito próximos das matas ciliares”.

As pessoas que residem próximas à lagoa de Extremoz atestam as mudanças do local. “A água está mais escura”, comenta Luís Antônio de Araújo, estudante. Francibruno Gomes de Melo, 9, diariamente toma banho no rio. Ele diz que nunca teve problemas com o lazer. Já Luís Antônio comenta que chegou a ficar com a pele irritada algumas vezes.

Antônio Batista de Morais, comerciante, afirma que o receio maior de tomar banho na lagoa ocorre quando a água fica toda parada. “Mas agora a lagoa está sangrando. Não tem problema na água, quase todo dia tem gente aqui”, completa.

Estudo vai apresentar alternativas

O secretário de Recursos Hídricos, Josemá Azevedo, destaca que já há uma preocupação com essa capacidade máxima de exploração que alcançou a lagoa de Extremoz. Ele confirma que a CAERN iniciou um estudo no rio Doce, como alternativa de abastecimento usando águas subterrâneas. “A Secretaria também já contratou estudos no rio Maxaranguape. O rio Doce seria uma alternativa e a longo prazo seria trazer água de outras localidades”.

Josemá Azevedo afirma que o estudo feito na bacia da lagoa de Extremoz passará por uma grande análise da Secretaria. “O estudo foi apresentado há 15 dias e vamos nos aprofundar. Em princípio, sabemos que além do monitoramento precisamos também ter um controle dos novos empreendimentos que serão instalados próximos”. Ele destaca que o trabalho da Secretaria de Recursos Hídricos é realizado em parceria com o IDEMA, órgão responsável pelo licenciamento ambiental. “A prioridade é o abastecimento humano. Temos o direito do uso e seremos criteriosos”, completa o secretário de Recursos Hídricos.

Tribuna do Norte(RN),28/03/2005

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Atualizado por Rosalie Arruda em 28/03/2005 18:07:00.